Precificação dos Serviços Advocatícios: Como definir o valor justo dos seus honorários

Tatiana Spagnolo: Como precificar serviços advocatícios
Advogada, Professora Acadêmica e Mentora para Jovens Carreiras Jurídicas.​
Tatiana Spagnolo

Advogada, Professora Acadêmica e Mentora para Jovens Carreiras Jurídicas. Especialista em direito internacional econômico, doutora em direito pela Universidad de León, Espanha. Acumula mais de 25 anos como professora universitária nas áreas de Processo Civil e Prática Jurídica.


Saiba mais sobre honorários contratuais, fatores de precificação, estrutura do contrato e dois métodos práticos para calcular o valor justo do seu trabalho.

Uma das maiores dificuldades do advogado iniciante (e de muitos profissionais experientes) é responder com segurança a uma pergunta que parece simples: quanto devo cobrar?

A precificação dos serviços advocatícios envolve variáveis técnicas, financeiras e até psicológicas. Cobrar de menos compromete a sustentabilidade do escritório e desvaloriza a profissão.

Cobrar sem critério pode afastar clientes e gerar insegurança na relação contratual.

Neste artigo, você vai entender como funciona a precificação dos honorários advocatícios contratuais, quais fatores devem ser considerados, quais métodos práticos podem orientar sua tomada de decisão e como estruturar o contrato de honorários de forma clara e profissional.

O que são os honorários advocatícios contratuais?

Os honorários advocatícios contratuais são a forma de remuneração do advogado ou advogada pelos serviços jurídicos prestados.

Diferentemente dos honorários sucumbenciais, que são fixados pelo juiz em processos judiciais e pertencem ao advogado, independentemente do que foi acordado com o cliente, os honorários contratuais são negociados diretamente entre as partes e formalizados em contrato.

Um ponto importante e frequentemente ignorado: a precificação dos serviços advocatícios não se limita à esfera judicial.

A atuação extrajudicial de consultoria, orientação preventiva, elaboração de contratos e assessoria, também deve ser precificada com critério e profissionalismo, pois representa tempo, conhecimento técnico e responsabilidade do profissional.

Honorários bem definidos não são apenas uma questão financeira, são uma demonstração de profissionalismo e respeito pelo próprio trabalho.

Existe valor mínimo ou máximo para os honorários advocatícios?

Não. Não existe nenhum parâmetro obrigatório de valor mínimo ou máximo para os honorários advocatícios contratuais. O que existe é uma tabela sugestiva da OAB que apresenta valores que a entidade considera como remuneração mínima razoável para as atividades da advocacia, com base em valores médios praticados pela classe. Veja aqui a tabela da OAB RS.

Essa tabela serve como referência, mas não é vinculante. Na prática, o valor dos honorários é definido caso a caso, levando em conta uma série de fatores que o profissional deve avaliar antes de apresentar sua proposta ao cliente.

Quais fatores influenciam a precificação dos serviços advocatícios?

Antes de definir qualquer valor, é essencial considerar o conjunto de variáveis que compõem o trabalho a ser realizado. Entre os principais fatores estão:

  • A complexidade e a relevância da questão jurídica envolvida
  • O volume de trabalho e o tempo necessário para conduzir o caso
  • O valor da causa
  • A condição econômica do cliente
  • O local de prestação dos serviços
  • A experiência profissional do advogado ou advogada

Esses elementos não atuam de forma isolada, eles se combinam e influenciam tanto o valor base dos honorários quanto os percentuais e a forma de pagamento. Entender essa dinâmica é o primeiro passo para precificar com segurança e sem subvalorizar o próprio trabalho.

Como calcular os honorários: dois métodos práticos

Existem diferentes abordagens para estruturar a precificação dos serviços advocatícios. Com base na minha experiência na área cível, de família e trabalhista, trabalho com dois métodos principais e cada um deles se aplica melhor a um perfil de atuação.

Método 1: Custo x Remuneração – Precificação por Hora

Este método parte de um levantamento detalhado dos custos mensais do escritório e do quanto você precisa tirar pelo seu trabalho.

A partir dessas duas variáveis, é possível chegar a um valor por hora que contemple tanto a manutenção do escritório quanto a sua remuneração e usá-lo como base de cálculo para cada tipo de demanda.

É especialmente indicado para advogados com nicho definido, cujos clientes pertencem a um mesmo segmento ou nível econômico.

Método 2: Número Base (NB) + Percentual – Precificação por Tipo de Atuação

Para carteiras mais diversificadas, com diferentes perfis de cliente e tipos de demanda, o método do Número Base oferece maior flexibilidade sem perder a estrutura.

Ele combina um valor pago na assinatura do contrato com um percentual pago ao final, o que demonstra comprometimento com o resultado e ainda permite negociação dentro de faixas pré-definidas por tipo de atuação.

A lógica por trás dos dois métodos, os critérios de aplicação e os exemplos práticos por tipo de demanda estão detalhados no material completo sobre precificação dos serviços advocatícios, disponível para download aqui.

Como estruturar o contrato de honorários advocatícios

Independentemente do método de precificação escolhido, o contrato de honorários é o instrumento que formaliza o acordo e protege tanto o advogado quanto o cliente.

Para que ele cumpra essa função com eficácia, alguns elementos são indispensáveis:

  • Valor dos honorários: em reais, em NB ou em percentual
  • Forma de pagamento: depósito, boleto, PIX, cheque
  • Periodicidade e parcelamento: datas, número de parcelas, eventual correção
  • Percentual ao final: vinculado ao êxito ou ao decaimento, com definição clara do momento de pagamento
  • Distinção entre honorários contratuais e sucumbenciais: deixar explícito que são verbas independentes e que não há compensação entre elas

Esse último ponto merece atenção especial. Os honorários sucumbenciais pertencem ao advogado e são fixados pelo juiz ao final do processo, não se confundem com os honorários contratados com o cliente e não podem ser usados como compensação. Explicar isso com clareza no primeiro atendimento evita conflitos e mal-entendidos no futuro.

A importância de não desvalorizar os seus honorários

Cobrar abaixo do valor justo não é humildade, é desvalorização. Tanto do próprio trabalho quanto da classe da advocacia como um todo.

Chegou-se aqui depois de, no mínimo, cinco anos de faculdade, inúmeras horas de estudo e atualização constante para aprovação no Exame da OAB.

A isso se somam a experiência acumulada, a responsabilidade técnica e o comprometimento com o resultado do cliente. Tudo isso tem valor e precisa ser remunerado de forma digna.

Quanto mais valorizado for o trabalho da advocacia, mais se demonstra a seriedade e a importância da atuação profissional, seja na prevenção de conflitos, na orientação estratégica ou na solução de demandas judiciais e extrajudiciais.

Precificar bem é um ato de respeito: pela sua trajetória, pelo seu conhecimento e pela confiança que o cliente deposita em você.

O valor do seu trabalho começa na forma como você precifica

A precificação dos serviços advocatícios não deve ser feita com base em intuição ou pelo que o colega ao lado cobra. Ela exige autoconhecimento, organização financeira e método.

E os dois modelos apresentados neste artigo oferecem um ponto de partida concreto para estruturar esse processo.

Se você está no início da carreira e ainda tem dúvidas sobre como precificar seus serviços, como apresentar honorários com segurança ou como conduzir a negociação com o cliente, esse é exatamente o tipo de questão trabalhada na Mentoria.

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