A Importância do networking para o jovem advogado

Advogada, Professora Acadêmica e Mentora para Jovens Carreiras Jurídicas.​
Tatiana Spagnolo

Advogada, Professora Acadêmica e Mentora para Jovens Carreiras Jurídicas. Especialista em direito internacional econômico, doutora em direito pela Universidad de León, Espanha. Acumula mais de 32 anos de advocacia prática, estratégica e preventiva. Além da experiência como professora universitária por mais de 27 anos, e conduzindo os jovens advogados(as) por mais de 15 anos em mentorias

Estratégias práticas e de baixo custo para o advogado iniciante construir uma rede de contatos sólida com exemplos concretos, erros a evitar e como fazer tudo dentro das normas da OAB.

A faculdade de Direito forma excelentes técnicos jurídicos. Ensina a argumentar, a pesquisar jurisprudência, a redigir peças. Mas há uma habilidade que raramente aparece na grade curricular e que pode ser tão determinante quanto o domínio técnico para o sucesso na carreira: a capacidade de construir e cultivar uma rede de contatos.

Networking para advogados iniciantes não é privilégio de quem já conhece muita gente, nem requer grandes investimentos financeiros. É, antes de tudo, uma prática intencional de construção de relacionamentos profissionais genuínos, que se desenvolve com consistência e respeito às normas éticas da profissão.

Neste artigo, você vai entender por que o networking é essencial para quem está começando, quais estratégias práticas e acessíveis funcionam de verdade e quais erros evitar para não comprometer sua reputação antes mesmo de ela se consolidar.

Por que o networking é essencial para o advogado em início de carreira?

É comum ouvir que “na advocacia, o que abre portas é o conhecimento”. E é uma verdade, mas incompleta. O conhecimento técnico é a base. O que determina se esse conhecimento vai gerar oportunidades reais é, em grande parte, quem sabe que você existe e o que você faz.

Ampliação de oportunidades

A maioria das oportunidades na advocacia como casos, parcerias, indicações, convites para eventos e publicações, chega por meio de relações pessoais e profissionais, não por anúncios. Para o advogado iniciante, que ainda não tem uma carteira consolidada, a rede de contatos funciona como o principal canal de acesso a essas oportunidades. Um colega que conheceu em uma comissão da OAB pode indicar um cliente fora da sua área. Um advogado mais experiente pode convidar você para uma colaboração em um caso complexo. Um contador parceiro pode te recomendar para os clientes dele. E todas essas conexões precisam ser construídas.

Aprendizado e desenvolvimento profissional

Além das oportunidades, a rede de contatos é uma fonte contínua de aprendizado prático que nenhum livro ou curso consegue substituir. Trocar experiências com colegas mais experientes, acompanhar como diferentes profissionais conduzem atendimentos, negociações e estratégias jurídicas acelera o desenvolvimento de carreira de forma significativa.

Mentores, em especial, desempenham um papel fundamental nesse processo e eles raramente aparecem sem que haja uma relação construída previamente.

Construção de reputação no meio jurídico

A reputação se constrói antes de ser necessária. Quando você participa ativamente de eventos, contribui com conteúdo relevante e mantém relações profissionais consistentes, começa a ser lembrado como alguém comprometido, confiável e presente. Essa percepção, acumulada ao longo do tempo, é um dos ativos mais valiosos da carreira jurídica.

Dicas práticas e acionáveis para um networking eficaz (e de baixo custo)

Construir uma rede de contatos sólida não exige grandes recursos. Veja como fazer isso na prática:

1. Participe ativamente dos eventos e comissões da OAB

A OAB oferece uma estrutura valiosa e gratuita (ou de baixo custo) para quem quer ampliar sua rede: palestras, workshops, comissões temáticas e grupos de jovem advocacia. Muitos advogados iniciantes passam por esses espaços sem aproveitar o potencial de conexão que eles oferecem.

A diferença está na participação ativa. Assistir é bom. Participar das comissões, se apresentar, trocar contatos e contribuir com ideias é o que gera visibilidade e relações duradouras.

Exemplo prático: Em vez de gastar com viagens para grandes eventos nacionais, foque na sua seccional da OAB. Participe das comissões que se conectam à sua área de interesse como a de Direito Digital, Jovem Advocacia ou Direito de Família. Lá, você encontra colegas com interesses semelhantes e pode encontrar oportunidades de coautoria em artigos ou organização de eventos conjuntos.

2. Construa parcerias estratégicas com profissionais complementares

Networking não acontece apenas entre advogados. Profissionais de áreas complementares como contadores, consultores financeiros, corretores de imóveis, psicólogos e médicos atendem públicos que, em algum momento, vão precisar de orientação jurídica. Essas parcerias estratégicas são uma das fontes mais naturais e éticas de indicações mútuas.

Exemplo prático: Se você atua no Direito de Família, estabeleça contato com advogados especialistas em Direito Imobiliário para indicações mútuas em casos de partilha de bens. Se foca no Direito Empresarial, aproxime-se de contadores que atendem pequenas e médias empresas. Essa troca pode ser uma fonte consistente de clientes e aprendizado ao longo do tempo.

3. Use o linkedIn com inteligência

O LinkedIn é a principal rede profissional do mundo jurídico digital e ainda é subutilizado por muitos advogados iniciantes. Ter um perfil atualizado é o mínimo. O que realmente gera conexões é a interação consistente e relevante.

Comentar em artigos de colegas, parabenizar conquistas, compartilhar análises sobre temas jurídicos e publicar conteúdo próprio são formas de se posicionar como um profissional engajado e acessível, sem infringir nenhuma regra ética da OAB, desde que o conteúdo seja informativo e não configure captação de clientela.

Exemplo prático: No LinkedIn, não se limite a apenas adicionar pessoas, interaja com o conteúdo delas. Um comentário genuíno em um artigo de um colega experiente pode iniciar uma troca que se desdobra em parceria. Isso te posiciona como alguém presente e atento ao meio jurídico.

4. Busque mentoria e contribua com o voluntariado

Ter um mentor, alguém mais experiente disposto a compartilhar conhecimento e abrir portas é um atalho legítimo no desenvolvimento de carreira. Programas de mentoria oferecidos pela OAB, por escritórios maiores ou por profissionais experientes são caminhos concretos para acessar esse tipo de relação.

O voluntariado em projetos pro bono ou em comissões da OAB também é uma estratégia eficaz: além de contribuir com a sociedade, coloca você em contato com uma rede diversificada de profissionais e causas que podem enriquecer sua trajetória de formas inesperadas.

5. Produza conteúdo colaborativo

Escrever artigos em coautoria, participar de podcasts jurídicos ou organizar webinars com outros advogados são formas de ampliar seu alcance e construir conexões significativas ao mesmo tempo. A produção conjunta cria uma relação de trabalho que vai além do contato superficial e o resultado fica registrado como evidência da sua capacidade técnica e da sua disposição para colaborar.

Exemplo prático: Proponha a um colega de área complementar escrever juntos um artigo para um portal jurídico. Ou convide advogados para um bate-papo online sobre um tema relevante do momento. Isso amplia seu alcance e te conecta a novas audiências sem custo algum.

Erros comuns a evitar no networking jurídico

Tão importante quanto saber o que fazer é saber o que evitar. Alguns comportamentos comuns podem comprometer não só a efetividade do networking, mas também a reputação que você está construindo.

Abordagem puramente comercial

Networking não é prospecção ativa de clientes. Quando o único objetivo de uma conversa é “vender” seus serviços, as pessoas percebem e o efeito é o oposto do desejado. Relações profissionais genuínas se constroem com interesse real pelo outro, não com a intenção de extrair algo.

A conexão que gera negócios é, quase sempre, um subproduto de uma relação bem construída, não o seu ponto de partida.

Falta de continuidade

Trocar cartões em um evento e nunca mais dar retorno é um dos erros mais comuns, e mais custosos, no networking. Contatos não cultivados se perdem. O seguimento é o que transforma um primeiro encontro em uma relação duradoura: uma mensagem após o evento, um compartilhamento de artigo relevante, um parabéns por uma conquista.

Desrespeito às Regras da OAB

O Código de Ética e Disciplina da OAB e o Provimento 205/2021 estabelecem limites claros para a publicidade e a comunicação na advocacia. Práticas que configurem captação de clientela como oferta direta de serviços, promessa de resultados ou distribuição indiscriminada de materiais, são vedadas e podem resultar em sanções disciplinares. Networking ético é possível e eficaz. Para entender em detalhes o que a OAB permite e o que é vedado, consulte nosso artigo sobre Marketing Digital: o que a OAB permite.

Construindo pontes para o sucesso

O networking para advogados iniciantes não é um evento pontual. É uma prática contínua de construção de relacionamentos que, ao longo do tempo, se transforma em um dos ativos mais valiosos da carreira jurídica.

Começa com pequenos gestos: participar de uma comissão da OAB, interagir com um post no LinkedIn, propor uma parceria com um colega. Cada conexão genuína é uma ponte e pontes, diferentemente de atalhos, são construídas para durar. Se você quer desenvolver as competências de relacionamento, posicionamento e gestão de carreira que a advocacia exige, a mentoria para advogados é o espaço certo para isso. Conheça as modalidades e construa sua trajetória com método e propósito.

Gostou? Compartilhe!

Mais conteúdo